Para calçadistas, ano de 2018 deve consolidar recuperação

“No frigir dos ovos, o ano não foi tão ruim quanto o cenário apontava que seria”. Desta forma o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, avalia 2017, um ano em que a produção de calçados deve encerrar com aumento na casa de 4%, uma “conquista relevante em um quadro negativo”.

Segundo Klein, o aumento da produção do setor (de 3,5% entre janeiro e outubro no comparativo com igual período do ano passado, conforme o IBGE), foi impulsionado, sobretudo, pelas exportações de calçados. Até novembro foram embarcados quase 110 milhões de pares, que geraram US$ 973,6 milhões, altas de 2,1% em volume e de 12% em receita em relação a igual ínterim do ano passado. “Só não exportamos mais porque o nosso preço, ao longo do ano, acabou ficando mais alto em função da oscilação do câmbio”, avalia o executivo, frisando que o ano deve encerrar com altas entre 10% a 15% no valor gerado pelas exportações de calçados.

Câmbio

O executivo ressalta que o calçado brasileiro perdeu espaço em mercados mais sensíveis ao preço, caso dos Estados Unidos, principal destino do produto verde-amarelo e que representa algo em torno de 20% do total gerado com as exportações do setor. “Para lá, as exportações caíram 13,3% em volume até novembro, ritmo que deve seguir estável em dezembro”, afirma Klein.

Em janeiro de 2017 o preço médio do calçado exportado era de US$ 7,16, valor que saltou para US$ 8,86 em novembro, uma alta de quase 20%. “Isso não quer dizer que o calçado embarcado tem mais valor agregado, mas que o nosso preço ficou menos competitivo, o que é negativo. No Brasil, onde temos um alto custo de produção, o câmbio acaba sendo um fator compensador para a competitividade no exterior. Quando o dólar está valorizado, conseguimos um preço mais competitivo e, consequentemente, uma performance melhor , o que não foi o caso de 2017”, acrescenta o executivo.

Demanda interna

Klein ressalta que a demanda doméstica segue sendo o terreno potencial” do setor calçadista, já que mais de 85% da produção (de mais de 950 milhões de pares) fica no mercado interno. Desaquecido desde 2014, quando teve início da crise econômica e política brasileira, o consumo de calçados teve uma leve recuperação a partir do segundo semestre de 2017. “É um bom indicativo de que vá continuar em dezembro e ao longo de 2018, com a expectativa de uma retomada na economia e na confiança do consumidor brasileiro”, projeta o dirigente.

Segundo ele, o setor calçadista, ao mesmo tempo em que sente profundamente os baques na economia, também responde rápido à retomada do consumo. “A compra de calçados se dá, basicamente, por impulso. Se o consumidor está mais confiante ele compra. Então o fato de estarmos atravessando um momento econômico mais saudável, com inflação sob controle, juros mais baixos e aumento do PIB é fundamental para o desempenho do setor”, comenta, acrescentando que as vendas no mercado interno devem aumentar algo em torno de 3% a 4% em 2017. “Ainda estaremos longe dos patamares pré-crise, mas já é um indicativo positivo”, conclui.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria

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