Campanha contra o bullying é lançada em Santa Cruz do Sul

A Prefeitura Municipal de Santa Cruz do Sul, com o apoio da Unisc e do Comitê Municipal Antibullying, lançou, nesta terça-feira (3), na Escola Municipal de Ensino Fundamental Luiz Schroeder, a campanha Bullying não tem graça!. A iniciativa tem como parceiros a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS), Conselho Tutelar, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comdica), Sindicato dos Professores Municipais (Sinprom), Secretaria Municipal de Educação (SEE), Secretaria Municipal de Saúde (Sesa), Secretaria Municipal de Comunicação (Secom), Câmara de Vereadores e Associação de Apoio às Classes Especiais (AACE).

A ideia é construir uma grande mobilização, com a participação dos mais diversos setores da sociedade e trazer à tona discussões sobre o preconceito, o desrespeito e a violência dentro das escolas, situações que nos dias de hoje se revelam através do fenômeno conhecido como bullying. A campanha acontecerá dentro das escolas, com muita distribuição de material informativo, apresentação de vídeo educativo e ações permanentes visando a prevenção e o combate.

Na opinião do professor Eduardo Saraiva, pesquisador vinculado ao Programa de Psicologia Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e coordenador do Laboratório de Práticas Sociais do curso de Psicologia da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), o fundamental na busca de soluções para o problema é o fortalecimento dos vínculos sociais.

Para ele, a reação muito individual e solitária que caracteriza grande parte dos episódios de bullying tende a agravar os casos, culminado até mesmo em episódios extremos como atentar contra a própria vida. “É uma trajetória de violência que se não trabalhada, aumenta, e tem efeitos devastadores como a evasão escolar e sobre a autoestima”, analisa.

Nesse contexto mais severo, entra a questão da judicialização dos conflitos escolares, chegando no extremo da punição como solução para o aumento da violência. A mediação dos conflitos pela justiça expõe a fragilidade do sistema educacional que não encontra formas de conter novos casos. “A judicialização das relações escolares vai de encontro ao próprio sentido da escola, eis que a solução para esses conflitos deveria ser trabalhada não com o viés do medo da punição, mas com o viés da vergonha”, afirma o presidente da OAB, Ezequiel Vetoretti.

Saraiva acredita que é preciso tirar o tema da invisibilidade para enfraquecer aquele que prática, identificar o autor e entender porque ele age dessa forma. “É importante trazer o bullying para discussão. É uma crueldade que está arraigada na nossa sociedade. Hoje temos um ambiente perigoso, de retrocesso. Infelizmente estamos vivendo tempos de muita intolerância. Esse é o pano de fundo”, aponta.

Um ambiente que deveria proteger a criança e prepará-la para compreender e respeitar as diferenças, a escola, tem sido o palco dessa violência. O fato de muitos episódios acontecerem dentro da sala de aula, conforme mostrou levantamento quantitativo realizado pelas secretarias municipais de Educação e Comunicação, nas escolas de ensino fundamental da rede pública municipal, mostram que os alunos estão desamparados, no entendimento do professor Eduardo Saraiva. “Isso é desamparo. A criança sofre e ainda fica desamparada. Aí entra o papel de instituições importantes como a escola e a família”, ressaltou.

Por outro lado ele afirma que ocorre uma banalização muito grande em torno do fenômeno bullying. “Existe esse risco sim. Em um primeiro momento, tudo vira bullying. Ah! ele me xingou, ah! me empurrou, isso é bullying! Com uma pesquisa mais aprofundada, escutando os alunos, teremos dados mais reais”, disse.

Fonte: Assessoria

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