A primeira doação de órgãos da Casa de Saúde

A perda de um ente querido é sempre um momento de dor para uma família, mas às vezes a tristeza pode se transformar em alegria para diversas outras pessoas. Isso porque uma simples atitude pode transformar a vida de até oito pessoas: através da doação de órgãos. E foi na quarta-feira, 17, que a família de uma paciente internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal de Novo Hamburgo, acometida de um aneurisma cerebral, fez valer a sua vontade e propiciou a primeira captação de órgãos do ano na Casa de Saúde.

A doação dos rins, fígado e córneas da paciente só foi possível devido à autorização da família da doadora. Para eles, este gesto retribuiu toda a ajuda que ela prestava às pessoas em vida. “É uma atitude simples e que é muito importante para salvar muitas vidas. Apesar de ser um momento sofrido, ficamos muito felizes de poder ajudar outras pessoas, assim como nossa irmã gostava de fazer”, disse, emocionada, Ivonete Cardozo, irmã da doadora.

Nos últimos anos, de acordo com estudo de 2016 da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, mais de 40% dos casos de não doação ocorreram por falta de autorização familiar. Para ser doador de órgãos, é necessário conversar com a sua família e deixar bem claro o seu desejo. O Médico Emergencista Lúcio Dornelles, reforça a importância da conversa. “Apesar de ser um momento triste para a família que recebe a notícia, esta decisão tem a oportunidade de mudar a vida de até oito pessoas já nas próximas horas. Entendemos que é um momento difícil para tomar decisões, mas é um gesto nobre de pensar no próximo”, afirma.

Os órgãos doados são direcionados às pessoas cadastradas em lista única na Central de Transplantes do Estado. Logo após a doação, a Central realiza o contato com os pacientes compatíveis e realiza os encaminhamentos para a realização do transplante.

Como funciona a doação de órgãos

Para que um paciente possa ser doador de órgãos, primeiro é realizado a identificação da morte encefálica. Profissionais conduzem os exames médicos que darão o diagnóstico. Tais procedimentos são baseados em sólidas e reconhecidas normas médicas. Entre outras coisas, os testes incluem um exame clínico para mostrar que seu ente não tem mais reflexos cerebrais e não pode mais respirar por si próprio.
Os testes são duas vezes realizados, com intervalo de uma hora, para assegurar um resultado exato. Adicionalmente, um teste de imagem que comprove que não existe mais fluxo sanguíneo cerebral faz parte do protocolo. Caso sinta necessidade, você pode pedir ao médico para que lhe explique ou lhe mostre como a morte encefálica foi declarada.

Após o diagnóstico, a Central de Transplantes do Estado é comunicada e realiza a avaliação do potencial doador, considerando a inexistência de contraindicações clínicas e laboratoriais. É realizado uma entrevista com a família, que assina um termo de consentimento. Por fim, uma equipe de profissionais é encaminhada à Casa de Saúde para que realize a captação e transporte dos órgãos para transplante, que pode ocorre poucas horas depois da doação.

Fonte: Assessoria | Foto: Reprodução

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